Range Rover Evoque Conversível: para ver e ser visto

É impossível falar sobre o Evoque conversível sem citar o sucesso que o modelo faz pelas ruas. Não é preciso ir longe para notar os olhares curiosos e as câmeras apontadas. Portanto, é bom que os futuros donos do SUV sem teto se acostumem. Além de seu estilo peculiar, inicialmente apenas 45 unidades serão vendidas por aqui a R$ 292.500.

Três fatores fazem dele um carro tão chamativo. O primeiro, ser um Evoque. Apesar de ser figura fácil nas ruas (foram 23.449 unidades emplacadas desde sua chegada, em 2011), ele é um daqueles típicos carros que exala ostentação. O segundo, por ser laranja (a cor, exclusiva da versão conversível, não é cobrada à parte).

Por fim, o inesperado (e incoerente) fato de ser um SUV conversível – bastam 18 segundos para abrir ou 21 para fechar o teto de lona. O processo, feito por um botão no console central, pode ocorrer a até 50 km/h.

Comparado às versões de cinco portas, o sem teto (que tem só duas) é 5 cm mais estreito, 26 mais baixo e tem apenas 251 litros para bagagens, contra 575. Ele também tem menos espaço para as pernas nos bancos traseiros – que levam somente dois ocupantes, diferentemente dos três que podem ir na versão comum.

Mais do que isso, o acesso ao espaço traseiro é complicado pela altura do carro e exige mais esforço de quem tenta acessá-lo, mesmo com o sistema elétrico de afastamento do banco dianteiro. Se a capota estiver fechada, são grandes as chances de seus convidados baterem a cabeça.

Mas, convenhamos, mesmo com os pontos de ancoragem para cadeirinhas infantis e saídas de ar-condicionado traseiras, dificilmente o Evoque conversível será utilizado por uma grande família no cotidiano.

Apesar da mecânica idêntica às demais versões e do peso extra (281 kg), o modelo de impressionantes 1.936 kg é menos estável em altas velocidades, quando é possível ter a acústica digna de um carro fechado com a capota baixada e os vidros erguidos. Em caso de capotamento, duas barras se erguem atrás dos encostos traseiros em 90 milissegundos.

Além da estabilidade, o desempenho e o consumo também são prejudicados. O motor 2.0 turbo de 240 cv e 34,7 mkgf, em conjunto com o câmbio automático de nove marchas, leva o Evoque de 0 a 100 km/h em 9,4 segundos, contra 8,5 da versão Dynamic fechada. As médias de consumo ficaram em 7,4 e 10,1 km/l nos ciclos urbano/rodoviário – foram 8,2 e 12,3 no SUV convencional.

Os itens de série têm como base a versão HSE Dynamic, com rodas aro 20, Park Assist, câmera 360 e cinco airbags, mas a central InControl Touch Pro, com 10,2 polegadas, e os faróis full led são exclusivos. O único opcional é o pacote Black Pack, que cobra R$ 10.197 por grade, emblemas e as mesmas rodas pintadas de preto.

Um SUV conversível, de fato, não tem muita lógica. Ele perde espaço e funcionalidade, grandes trunfos dos SUVs. Mas no caso do Evoque e de quem quer fugir do óbvio, o sentido é justamente não ter um sentido.

Veredicto

Um SUV com teto retrátil, espaço reduzido e duas portas não é nada prático. A proposta do Evoque, porém, é divertir seu dono e fazê-lo ser visto por onde passar.