Teste: Renault Captur 1.6 CVT, a aposta da marca

Durante o lançamento do Captur, a Renault prometeu que o câmbio CVT equiparia o motor 1.6 até o fim do primeiro semestre. Nesses meses de espera, o SUV vendeu apenas 3.346 unidades de fevereiro a maio, ou pouco mais de 1.100 veículos emplacados por mês, contra 19.160 do líder, Honda HR-V.

Disposta a recuperar o tempo (e as vendas) perdido, a marca aposta todas suas fichas nas duas versões com o câmbio continuamente variável: a Zen, por R$ 84.900 (R$ 6.000 a mais do que a Zen 1.6 com transmissão manual), e a Intense, por R$ 88.400 – a Intense 2.0 subiu para R$ 91.900.

Aproveitando a aliança firmada com a Nissan desde 1999, o Captur utiliza a mesma caixa do Kicks. A Renault diz que nenhuma adaptação foi necessária para acoplar o câmbio ao novo motor 1.6 SCe de 120/118 cv e 16,2 mkgf de torque máximo que equipa o Captur.

Embora seja 9 cv mais potente que o motor de 1,6 litro adotado pela Nissan (que originalmente foi projetado pela própria Renault), o Captur CVT é 144 kg mais pesado que seu rival. O Nissan leva ampla vantagem na aceleração de 0 a 100 km/h (11,9 contra 14,4 s) e retomada de 80 a 120 km/h (o Kicks leva 9,0 s ante 11,6 s do Captur).

Diferentemente do Kicks, porém, o Renault permite mudar as marchas por toques na alavanca para a frente e para trás – melhor seria se houvesse paddle shifts atrás do volante.

Não há como fugir do alto nível de ruído nas acelerações, e o câmbio leva tempo para reagir em situações críticas, como nas subidas. Mesmo assim, ele é melhor do que a caixa automática de quatro marchas da versão 2.0.

Beleza definitivamente é o forte do Captur. Apesar de estar à venda desde fevereiro, ele ainda é perseguido pelos olhares das pessoas nas ruas.

É difícil achar quem critique seu design, especialmente se o carro tiver pintura bicolor – escolhida por 85% dos clientes. As belas rodas de 17 polegadas são as mesmas da versão Zen, mas têm acabamento diamantado na Intense.

Olhando de fora o Captur agrada, mas por dentro ele poderia melhorar em alguns aspectos. A qualidade dos plásticos não condiz com a expectativa de um rival de Kicks, HR-V e Jeep Renegade, todos mais refinados.

Alguns botões ficam em posição incômoda, como o do piloto automático e o da função Eco, localizados abaixo da manopla do freio de mão. Em contrapartida, sobra espaço para os ocupantes, inclusive no banco traseiro.
O porta-malas leva 437 litros, igualando o HR-V neste quesito. E o motorista nem precisa trancar o carro: basta desligar o motor e sair do veículo com a chave-cartão para as portas travarem automaticamente.

Se está pensando em comprar um SUV automático, o Captur 1.6 CVT pode (e deve) entrar no seu radar, principalmente se você já se encantou pelo modelo.

Mas, antes de fechar negócio, vale conhecer o Kicks. Agora nacional, o representante da Nissan custa R$ 85.600 na versão intermediária, SV, e vem mais equipado que o Captur Zen. No caso do Kicks SL, o valor sobe para R$ 94.900.

Veredicto

Movido pelo bom câmbio CVT, o Captur pode, enfim, vender bem. Melhor ainda seria se essa caixa também equipasse o motor 2.0.